Palácio Nacional de Sintra: Visita detalhada e 20 destaques

Palácio Nacional de Sintra: Visita detalhada e 20 destaques
 

Conheça todos os detalhes para visitar Palácio Nacional de Sintra, um palácio histórico construído ao longo de vários séculos, com arquitetura e decoração únicas.

O PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA

Localizado no centro da Vila histórica de Sintra, a pouco mais de 30 km a noroeste de Lisboa, o Palácio Nacional de Sintra, também chamado de Palácio da Vila, é a mais bem preservada residência real medieval de Portugal. Com características arquitetônicas medieval, gótica, manuelina, renascentistas e romântica, o palácio foi construído em diversas épocas e habitado de forma contínua pela Família Real Portuguesa a partir do XV até 1910. O palácio é formado por diversas salas, câmaras, pátios, terraços, escritórios, escadas, hortas e jardins. Até o século XVIII, o Palácio Nacional de Sintra serviu como centro da gestão econômica e jurídica da região.

Palácio Nacional de Sintra: Visita detalhada e 20 destaques
Vista das duas famosas chaminés do Palácio Nacional de Sintra

O Palácio foi um local de extrema importância para a história de Portugal. Foi o local onde nasceu e morreu o rei D. Afonso V (1438-1477); em que D. João II foi aclamado rei em 1481; onde D. Manuel I recebeu a notícia da descoberta do Brasil em 1500; e um seus dos quartos serviu de prisão para D. Afonso VI (de 1676 até sua morte em 1683), deposto por seu irmão D. Pedro II.

CURIOSIDADE: Esse mix de estilos arquitetônicos é conhecido como arquitetura orgânica, que pode ser entendido como um conjunto de edifícios, aparentemente separados, que fazem parte de um todo, interligando-se através de pátios, escadas, corredores e galerias.

UM POUCO DE HISTÓRIA…

O Palácio Nacional de Sintra é formado por muitos paços reais que foram sendo construídos, ampliados e reformados ao longo dos séculos. O palácio que vemos hoje é totalmente diferente daquele primitivo que remonta (talvez) o século VIII, quando a região era dominada pelos mouros. Acredita-se que o palácio teria servido como habitação dos governantes mouros e, após 1147, dos reis cristãos, uma vez que a vila foi conquistada pelo primeiro rei português, D. Afonso Henriques. Em seguida, confira os principais momentos do palácio.

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Palácio Nacional de Sintra e centro histórico da vila vistos do alto do Castelo dos Mouros

>> SÉCULOS XIII: PRIMEIRAS OBRAS

Depois da reconquista de Sintra, levou algum tempo até que os monarcas portugueses se interessassem pelo palácio. Foram, provavelmente, o rei D. Dinis (1261-1325) e sua esposa D. Isabel de Aragão (1271-1226) os primeiros a se interessarem pelo local, mandando construir uma Capela e alguns dos mais antigos espaços do castelo, inclusive o que veio a ser o Quarto-Prisão de D. Afonso VI no século XVII.

>> SÉCULO XV: ALA JOANINA

Este núcleo corresponde ao Paço Real construído no reinado de D. João I (1357-1433) e de D. Filipa de Lencastre (1360-1415). Grande parte do palácio remonta justamente aos tempos do rei D. João I, que ordenou um grande projeto de construção iniciado em 1415. A maioria dos edifícios em redor do pátio central foram construídos nesta época, incluindo o edifício principal da fachada com os arcos de entrada e as janelas; as chaminés cônicas da cozinha; a Sala dos Cisnes; a Sala das Pegas; e pátios decorados com azulejos.

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Sala dos Cisnes

>> SÉCULOS XV E XVI: ALA MANUELINA

Paço de D. Manuel I (1469-1521), construído no século XVI é formado pelo alinhamento hierárquico de câmaras: Sala, Antecâmara, Câmara e Guarda-Roupa, refletindo o regime senhorial medieval. Durante o reinado de D. Manuel I, foram construídas a Sala dos Árabes, com azulejos e uma fonte em estilo mourisco no centro; e a ricamente decorada Sala dos Brasões, construída entre 1515 e 1518; além da redecoração da maior parte dos quartos com azulejos coloridos feitos em Sevilha.

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A impressionante Sala dos Brasões

>> SÉCULOS XVII E XVIII: D. AFONSO VI E TERREMOTO

  • D. AFONSO VI: Nos séculos seguintes o palácio continuou a ser habitado por Reis de tempos a tempos, ganhando nova decoração sob a forma de pinturas, painéis de azulejos e mobiliário. O Rei Afonso VI, que se encontrava mentalmente instável, foi deposto por seu irmão Pedro II e ficou preso um dos quartos do palácio entre 1676 até a sua morte em 1683.
  • TERREMOTO DE 1755: O palácio sofreu danos após o fortíssimo terremoto de 1755, em particular a torre sobre a Sala dos Árabes, que desabou. No final do século XVIII, a rainha D. Maria I redecorou e reconfigurou os quartos da Ala Manuelina.

>> SÉCULOS XIX, XX E XXI: FIM DA MONARQUIA

  • MONARQUIA CONSTITUCIONAL: Com o fim do Antigo Regime e a implementação de uma Monarquia Constitucional em 1822, vários aposentos foram adaptados para abrigar novas funções da família real, a qual deixou de ser o centro de decisão política. A utilização tornou-se mais residencial e próxima dos modelos atuais e rainha-mãe, D. Maria Pia, foi a última rainha de Portugal a habitar o palácio.
  • ESTADO NOVO: Com a fim da monarquia e fundação da República, em 1910, o palácio se tornou um Monumento Nacional. Durante o regime ditatorial do Estado Novo (1933-1974), a Sala Grande de D. Manuel I foi recuperada como ação da propaganda nacionalista e imperialista. Na década de 1940, foi restaurado para tentar voltar à decoração original com móveis antigos trazidos de outros palácios e procurando restaurar os painéis de azulejos.
  • DIAS ATUAIS: Em 1995, junto a outras atrações da Paisagem Cultural de Sintra, o Castelo foi classificado como Patrimônio Cultural da Humanidade da UNESCO. Em 2000, a organização Parques de Sintra passou a gerir o palácio. Desde então, o local se tornou uma importante atração turística e é um dos mais visitados do país.

PATRIMÔNIO MUNDIAL: As atrações que fazem parte da Paisagem Cultural de Sintra e são consideradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO são: Palácio Nacional e Parque da Pena, Chalet e Jardim da Condessa d’Edla, Convento dos Capuchos, Palácio Nacional de Sintra, Castelo dos Mouros, Parque e Palácio de Monserrate, Palácio Nacional e Jardins de Queluz, e Estábulos na Quinta da Pena)

 

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O Gabinete do Patrimônio Mundial fica em frente ao Palácio Nacional de Sintra

DESTAQUES DA VISITA AO PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA

Abaixo, está o mapa oficial do Palácio Nacional de Sintra. Em seguida, estão os principais destaques da visita divididos em 20 destaques que contam um pouco da história de cada cômodo e os principais itens expostos. Você também pode ter um gostinho da visita acessando este passeio virtual 360º oficial do palácio. Em seguida, daremos mais detalhes sobre cada um dos destaques selecionados para facilitar a sua visita.

Palácio Nacional de Sintra: Visita detalhada e 20 destaques
Mapa do Palácio Nacional de Sintra | Figura: site oficial

1. TERREIRO DO PALÁCIO

O Palácio Nacional de Sintra fica instalado no Largo Rainha Dona Amélia (em homenagem à última rainha-consorte de Portugal, esposa do rei D. Manuel II). Em frente ao palácio, fica uma grande área conhecida como Terreiro do Palácio. Entre os séculos XV e XX, este espaço funcionava como uma área de distribuição e ficava cercado por vários edifícios em que funcionavam diversos serviços. Depois da implantação da República em 1910, este prédios foram demolidos e um grande espaço foi aberto para se tornar a principal praça de Sintra. Ali também fica uma fonte do século XVI com uma torre no topo, uma possível referência à Vila de Sintra.

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Em frente ao Palácio Nacional de Sintra

Na direção da fonte, no andar de cima, ficam as “janelas joaninas”, um conjunto de cinco janelas da época das obras feitas no reinado de D. João I (1385-1433) e correspondem à primeira e maior sala do Paço construída durante esse período. Nos arcos foram esculpidas pequenas flores-de-lis, um símbolo utilizado por D. João I por ter sido Mestre da Ordem de Avis, cuja insígnia era formada por aquelas flores.

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Terreiro do Paço com vista para a Vila de Sintra e o Castelo dos Mouros, no alto

2. ARCADAS

Saindo do Terreiro do Palácio, suba alguns degraus. Há um pórtico na entrada com quatro arcos góticos, as arcadas do palácio. Esta é uma área que representa o poder senhorial, uma vez que aqui se fechavam contratos, testamentos e negócios que envolviam documentos. Estas atividades eram validadas por notários, burocratas e juízes que estavam ao serviço da Rainha, que detinha o poder sobre o território de Sintra.

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Arcada com a fonte em frente
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Arcadas e escada que dá acesso ao palácio
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Escada que dá acesso à Sala de Entrada

3. SALA DE ENTRADA & SALA DOS ARCHEIROS

Suba a escada à direita para chega até a Sala de Entrada onde fica uma fonte, à direita, e uma maquete do Palácio Nacional de Sintra, à esquerda. Esta sala liga dois Paços Reais. À esquerda, o Paço construído no reinado de D. João I (início do século XV). À direita, o Paço do reinado de D. Manuel I (início do século XVI).

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Maquete na Sala de Entrada

Seguindo em frente, chega-se a Sala dos Archeiros, interligada a Sala de Entrada. A sala consiste em uma varanda coberta com um piso de três cores diferentes e várias portas de madeira e vidro que se abrem. Esta sala tem este nome porque, no passado, aqui ficavam os guardas cerimoniais, conhecidos como “archeiros”, os quais carregavam um tipo de arma antiga chamada de alabardas ou archas.

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Sala dos Archeiros

4. SALA DOS CISNES (SALA GRANDE) & PÁTIOS

A Sala dos Cisnes é a primeira sala do Paço de D. João I e D. Filipa de Lencastre e uma das principais salas do palácio, também conhecida como Sala Grande do Paço de D. João I e D. Filipa de Lencastre. Até ao século XIX, era nesta sala que se realizavam banquetes, eventos musicais, recepções públicas, festas religiosas, e até cerimônias fúnebres. No entanto, o fortíssimo terremoto de 1755 destruiu parte das paredes e do teto da sala, os quais foram reconstruídos posteriormente. Seu teto é todo pintado e decorado com imagens de cisnes em várias posições.

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Sala dos Cisnes
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Pintura do teto
  • PÁTIO DA AUDIÊNCIA: Seguindo pela Sala dos Cisnes até a outra extremidade, chega-se ao Pátio da Audiência, um espaço formado por colunas renascentistas do século XV, decorado por azulejos mouriscos com um banco e um trono. Provavelmente, era utilizado para reuniões ou audiências até o século XVI. Incialmente totalmente aberto, ele foi coberto posteriormente.
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Pátio da Audiência
  • VISTA DO PÁTIO CENTRAL: Para chegar à próxima sala, tem-se uma vista de um pátio central (que será visitado posteriormente). Dali é possível ver um tipo de tanque retangular que existe desde o século XVI. Siga pela porta da esquerda para chegar até a Sala das Pegas.
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Vista do Pátio Central com vista para as chaminés da cozinha

5. SALA DAS PEGAS

A Sala das Pegas é a segunda sala do Paço de D. João I e D. Filipa de Lencastre. Ela era utilizada para audiências com o rei. Com as paredes decoradas por azulejos do século XVI feitos em Sevilha, a pintura do teto desta sala é considerada a mais antiga do palácio, onde estão pintadas 136 pegas (aves da família dos corvos, consideradas uma das espécies mais inteligentes do mundo, conhecida como “magpie” em inglês), a divisa de D. João I (1385-1433) e e uma rosa, numa possível alusão à Casa inglesa de Lancaster, à qual pertencia a rainha D. Filipa de Lencastre (1360-1415).

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O teto decorado por aves

Com um tapete, uma cadeira e um dossel, acredita-se que a sala era utilizada para audiências com o rei. No século XIX, as audiências régias perderam importância e esta sala passou a ser utilizada para banquetes. Na sala também fica uma lareira de mármore que foi dada de presente ao rei D. Manuel I pelo Papa Leão X, em 1515, e foi instalada nesta sala em 1898. Há também uma escrivaninha luxuosa do século XVII em que eram guardados objetos importantes e documentos.

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Tapete e Lareira na Sala das Pegas

6. CÂMARA DO OURO

A Câmara do Ouro é a terceira sala do Paço de D. João I e D. Filipa de Lencastre e um dos locais onde o rei recebia pessoais mais importantes, como ocorreu com a rainha D. Catarina de Áustria (1507-1578). O local também era utilizado como dormitório do rei e também é conhecido como Quarto D. Sebastião. Seu nome se deve ao fato de que, durante nos séculos XV e XVI, a sala coberta de ouro. No século XIX, o espaço era utilizado como sala de jantar.

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Câmara do Ouro

Atualmente, encontra-se uma bela cama de influência italiana, produzida entre os séculos XVII e início do século XVIII, com medalhões pintados com cenas mitológicas com um dossel vermelho. Em latão prateado, há um brasão dos Condes de Sabugal, antigos donos dessa cama que foi levada para este local no século XX.

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Detalhes da bela cama da Câmara do Ouro

7. SALA DAS SEREIAS (GUARDA-ROUPA)

A quarta sala do Paço de D. João I e D. Filipa de Lencastre, conhecida como Guarda-Roupa ou Sala das Sereias, servia para armazenar em arcas bens importantes para o rei e para a rainha, tais como roupas, joias, pratarias e outros itens. A sala possui azulejos com relevos e decorados com cores as cores azul e verde que datam do século XVI. Provavelmente, foram instalados no século XVIII.  O teto é decorado com desenhos de sereias.

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Sala das Sereias
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Teto decorado com sereias

8. CAMARIM

Conhecido como Camarim, este espaço esteve dividido em três pequenos compartimentos de maior privacidades que poderiam servir de apoio ao Guarda-Roupa. As divisórias, provavelmente, foram demolidas no século XVIII, quando passou a funcionar como um local de preparo de refeições.

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A beleza das obras de arte do Camarim

Entre os destaques desta sala estão:

  • Tapeçaria de Júlio César: uma grande tapeçaria flamenga do século XVI que exibe o episódio em que o imperador romano se encontra com a vidente Spurina e foi levada ao palácio em 1939
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Tapeçaria de Júlio César
  • Globo Celeste: um globo dourado, produzido em 1575, que representa a esfera celeste, com constelações e signos do zodíaco
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Globo Celeste
  • Quadro de São João Batista: uma pintura do início do século XVI que representa São João Batista com um cordeiro ao lado, remetendo à passagem em que batizou e reconheceu Jesus como filho de Deus

9. SALA DA COROA

Esta pequena, decorada com azulejos em tons azuis e detalhes verdes e amarelos, tem este nome devido ao seu teto de madeira pintado com um brasão central do final do século XVIII.

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Sala da Coroa
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Brasão pintado no teto

Ao sair da sala, à esquerda, chega-se ao Pátio de Diana, um pequeno espaço a céu aberto, decorado com azulejos nas paredes laterais e que conta com uma fonte de água e duas escadas laterais que levam à Sala das Galés.

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Pátio de Diana
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Pátio de Diana visto do alto da escada

10. SALA DAS GALÉS

Sala das Galés, também chamada de Sala Grande, é a primeira sala de um Paço construído no século XVI pelo rei D. João III (1502-1557) com a função de conectar as salas principais no sul, com a ala noroeste do palácio. Seu nome deve ao seu teto abobadado com pinturas de galés (embarcações de guerra, compridas e sem cobertura) do século XIX. Esta grande sala foi dividida em espaços menores, abrigando o infante D. Afonso, retornando a um espaço único no século XX.

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Sala das Galés

Entre os destaques peças de cerâmica mourisca produzidas na região de Valência entre os séculos XV e XVIII.

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Peças de cerâmica mourisca

10. PASSAGEM PARA O JARDIM DO PRÍNCIPE

Uma porta dá acesso ao Jardim do Príncipe, um jardim geométrico construído no século XIX para se interligar com os aposentos do Príncipe Real, futuro D. Pedro V; e o Pátio dos Tanquinhos, construído no reinado de D. Manuel I como um espaço contínuo do jardim.

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Jardim do Príncipe

11. CÂMARAS DE D. JOÃO III & CORREDOR

Câmaras de D. João III são formadas por 7 salas distribuídas em dois pisos ligados por uma escada de caracol construída no século XVIII. Não se sabe ao certo para quais fins foram utilizadas. Nos séculos anteriores, subia-se a este piso superior pelo Corredor dos Brasões, mais à frente na visita. No entanto, o piso superior não está incluso na visita e era constituído por uma sala grande e duas câmaras, atualmente vazias. No passado, seriam os aposentos das rainhas, entre elas a rainha D. Isabel de Aragão, a Rainha Santa (1271-1336) e D. Leonor de Aragão (1402-1445).

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Câmaras de D. João III

Um corredor liga os Paços de D. João I e D. Filipa (século XV) e de D. João III (século XVI). À esquerda, fica a Sala dos Brasões e à direita, fica o acesso ao antigo Paço de D. Dinis e D. Isabel de Aragão (século XIII), a parte mais antiga do palácio.

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Corredor que leva a Sala dos Brasões

12. SALA DOS BRASÕES

Para acessar a Sala dos Brasões, é preciso passar por um Portal Manuelino no Corredor dos Brasões, que também contém uma tapeçaria flamenga do século XV com Armas Reais Portuguesas. A Sala dos Brasões é a mais impressionante sala do palácio, aquela que arranca suspirosos por conta de sua belíssima decoração. Trata-se de uma sala quadrada de 12 metros de lado que ocupa todo o piso nobre da torre construída pelo rei D. Manuel I (1469-1521) no século XVI.

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A magnífica Sala dos Brasões

Alguns dos destaques são:

  • AZULEJOS: As paredes da sala são revestidas de azulejos azuis e brancos do século XVIII, pintados entre 1710 e 1715, com imagens de caça a veados e ursos, além de nobres em momentos de lazer e  desfrutando o ar livre.
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A beleza dos azulejos
  • CÚPULA: A sala conta com uma cúpula, construída entre 1517 e 1518, de base octogonal com os brasões de 72 famílias da nobreza portuguesa, com armas do rei D. Manuel I no topo, além da das armas de seus oito filhos com a rainha D. Maria de Aragão.
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O belíssimo teto da Sala dos Brasões

13. CÂMARA DE D. AFONSO VI

As Câmaras de D. Afonso VI consistem no núcleo mais antigo do palácio (por volta dos anos 1430-1440). Trata-se de uma estrutura fortificada construída com finalidade de defesa. Posteriormente, o Paço foi reformado no século XIII, por D. Dinis e D. Isabel de Aragão. O rei entregava às terras de Sintra à autoridade da rainha, cabendo a ela a gestão da vila. O aposento das rainhas ficava nesta área do Paço, que era a mais inacessível de todas.

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Este espaço foi possivelmente a Sala Grande do Paço de D. Dinis, durante o século XIII

O quarto aberto à visitação tem um piso cerâmico que data o século XV (por volta de 1430 ou 1440), um dos mais antigos do palácio. Acredita-se que foi neste quarto que o rei D. Afonso VI, que foi afastado pelo seu irmão, ficou preso nos últimos 9 anos de sua vida, sendo guardado por 300 soldados. O leito exposto neste quarto é do século XVII e feito de madeira e metal dourado. Ele foi transferido ao Palácio Nacional de Sintra, em 1939, a partir do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. Ao lado, fica um espaço que acredita-se ser a Sala Grande do Paço de D. Dinis.

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Quarto em que D. Afonso VI ficou preso

14. CAPELA

A construção original da Capela ocorreu no século XIII durante o reinado de D. Dinis e D. Isabel de Aragão. Ela foi ampliada durante o reinado de D. Afonso V, no século XV, quando o rei reforçou a importância do monarca na Capela, estabelecendo normas para o serviço litúrgico. O teto da capela tem estilo arquitetônico mudéjar, incorporando elementos de estilo ibero-muçulmano com complexos padrões geométricos, é um dos exemplos mais bem preservados do tipo em Portugal, contribuindo para o palácio possuir o maior conjunto de azulejos mudéjares do país.

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A bela Capela

O piso cerâmico foi feito com técnicas de alicatado (mosaico poligonal) e conta com desenhos geométricos de várias cores. Nos séculos XVIII e XIX, a capela foi profundamente alterada. Foi somente no século XX que a decoração das paredes foi recuperada. Os visitantes podem visitar a capela a partir da Tribuna da Capela, um espaço elevado do lado oposto do altar.

15. SALA DOS ÁRABES

A Sala dos Árabes é uma sala quadrada que se comunica diretamente com o Pátio Central através de uma escada em caracol, deixando tanto esta sala como a Sala do Leito de Aparato (sala seguinte) separadas do restante do palácio. Durante o reinado de D. Manuel I (1495-1521) foram colocados os azulejos geométricos nas paredes e, ao centro, uma fonte com figuras mitológicas marinhas formada por uma bacia de mármore branco e cercada por peças de cerâmica de várias cores.

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Sala dos Árabes

16. SALA DO LEITO DE APARATO

Parcialmente destruída devido ao terrível terremoto de 1755, a Sala do Leito de Aparato era coberta por um terraço que se comunicava com o Pátio da Capela, que fica ao lado. Inicialmente, existia aqui uma torre cujo piso superior, acima desta sala, ruiu. No entanto, no início do século XX, era usada como sala de jantar do pessoal que estava à serviço da rainha D. Maria Pia. Atualmente, o espaço é utilizado para exibir uma belíssima cama do século XVII feita com ébano, prata e cobre, ricamente decorada, que pertenceu aos Duques de Cadaval. No quarto também se encontra um retrato, do final do século XVII, de D. Pedro II, irmão do rei D. Afonso VI, e responsável por sua prisão no palácio.

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Sala do Leito de Aparato

17. COZINHA

Depois de visitar esta sala, algumas escadas levam até a grande Cozinha, que fica no piso inferior. Ela foi construída por D. João I com o objetivo de servir a todo o palácio, ou seja, estava em constante movimento para atender às centenas de pessoas que compunham a corte e participavam de banquetes. A rainha D. Catarina de Áustria chegou a ter mais de 29 cozinheiros, fora todo o pessoal auxiliar, pasteleiros, padeiros e queijeiros.

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Cozinha do Palácio Nacional de Sintra

A cozinha era constantemente abastecida com água, lenha e alimentos. Desde o início do século XV, conta com água canalizada. Acima da cozinha ficam duas chaminés brancas com 33 metros de comprimento, construídas no reinado de D. João I (1385-1433) e D. Filipa de Lencastre (1360-1415), que são uma das características mais marcantes da arquitetura do palácio.

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Enormes panelas de cobre

Outro destaque da coisinha é uma parede onde fica uma grande estufa de ferro, utilizada para manter a comida quente depois de preparada até o momento em que era levada à mesa para ser servida. As enormes panelas de cobre e grandes móveis de madeira completam a decoração do espaço.

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Estufa à esquerda

18. SALA MANUELINA

Voltando à Sala de Entrada, no início do passeio, siga do lado oposto, passando pelo bonito Portal Manuelino para acessar a Sala Manuelina. Esta sala era a Sala Grande no período de D. Manuel I (1469-1521) e foi, posteriormente, dividida para acomodar os aposentos do rei D. Luís (1838-1889). Nos anos 1930, durante a ditadura do Estado Novo, ela voltou ao seu original. Alguns dos destaques são:

  • LUSTRE: A sala com um belíssimo lustre central de vidro com 97 pontos de luz. Ele foi adquirido em Murano, em Veneza, na Itália no final do século XIX e colocado na Sala das Pegas, que servia com uma sala de banquetes.
  • AZULEJOS: Os bonitos azulejos com o emblema pessoal do rei D. Manuel I (1469-1521) que decoram as paredes da sala à meia-altura foram produzidos em 1931 a partir de exemplares do século XVI. A ideia era relembrar a importância do papel do rei durante a expansão ultramarina portuguesa e do papel glorioso de Portugal neste contexto.
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Sala Manuelina
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Enorme lustre ao centro e a lareira à direita

19. APOSENTOS DA RAINHA D. MARIA PIA

A rainha D. Maria Pia de Saboia (1847-1911) era esposa do rei Carlos I e mãe do último rei de Portugal, D. Manuel II. As oito salas que compunham os antigos Aposentos da rainha D. Maria Pia ficam localizados no piso superior do lado leste do Paço de D. Manuel I.  A Galeria de Cor, o Quarto de Cama, o Quarto de Toilette e a Sala dos Aposentos da rainha correspondem à varanda e às três câmaras junto da Sala Grande do Paço manuelino.

  • GALERIA DE COR: É uma varanda do Paço de D. Manuel I que servia como um local de recreação. Durante o século XIX, foi fechada com janelas de vidros coloridos, recebendo o nome “galeria de cor”. Era utilizada pela rainha D. Maria Pia como espaço de trabalho e lazer. Atualmente, sem as janelas, proporciona lindas vistas da vila de Sintra e do Castelo dos Mouros, acima da colina.
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Galeria de Cor
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Vista incrível da Vila de Sintra a partir da Galeria de Cor
  • QUARTO DE CAMA: Entre 1858 e 1858, durante o reinado de D. Pedro V, este quarto foi adaptado para receber o rei e a rainha D. Estefânia. Olhe para o teto para ver a coroa real e o monograma “PS” (Pedro & Stephanie). Atualmente, este quarto abriga o leito que a rainha D. Maria Pia (1847-1911) passou a última noite em Portugal, na véspera da implantação da República, a 5 de outubro de 1910. Poucas horas depois partiu para o exílio.
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Quarto de Cama da rainha D. Maria Pia
  • QUARTO DE TOILETTE & QUARTO DE RETRETE: Este quarto era dedicado ao toilette de D. Maria Pia, como era chamado o ritual de vestir-se, maquiar-se e perfumar-se. O lavatório, a mesa e o espelho tem detalhes em rococó. Em uma das paredes está um retrato da rainha, pintado em 1876. Há uma porta a partir para entrar no Quarto de Retrete é uma forma se referir ao banheiro. Ali fica um vaso sanitário de madeira e um bidé de cerâmica.
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Quarto de Toilette com a entrada para o Quarto de Retrete à direita
  • SALA: Esta bonita sala de estar privada era utilizada por D. Maria Pia para trabalho, repouso ou atividades de recreação. De muito bom gosto, o espaço era decorado com móveis de madeira escura, pinturas, têxteis e paredes claras com detalhes em dourado. A lareira neo manuelina exibe as armas da aliança entre Portugal e Saboia.
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Sala da rainha D. Maria Pia
  • CASA DE BANHO: Este espaço era usado para a higiene diária da rainha e contava com lavatório e banheira com torneiras com água quente e fria. A porta com janelas coloridas foi colocada durante as obras realizadas entre 1857 e 1858, no reinado de D. Pedro V.
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Casa de Banho da rainha D. Maria Pia
  • GUARDA-ROUPA: Era nesta sala, que ainda conserva os armários originais embutidos nas paredes, que eram guardadas as roupas brancas e peças de vestuário de D. Maria Pia.
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Guarda-roupa da rainha D. Maria Pia

20. PÁTIO CENTRAL & GRUTA DOS BANHOS

Saindo dos Aposentos da Rainha D. Maria Pia, siga o Pátio Central, uma área que interliga o Paço de D. João e D. Filipa, e conta com uma coluna torcida ao centro construída no século XVI. Pare um tempo para admirar a decoração de azulejos azuis e brancos da Gruta dos Banhos. Este é um espaço protegido do sol em que jatos de água que jorram dos minúsculos orifícios nas paredes conferindo uma dimensão lúdica.

Palácio Nacional de Sintra: Visita detalhada e 20 destaques
A bela Gruta dos Banhos

A gruta foi construída no final do século XV ou início do século XVI e redecorada no século XVIII. O teto conta com estuques que apresentam a Criação do Mundo (composição central), as Quatro estações (cantos) e temas mitológicos.

OUTRAS ÁREAS: LOJA, CAFETERIA E JARDINS

Reformada em 2018, a Loja do Palácio conta com muitos artigos para presente, livros, itens decorativos, porcelanas inspiradas nas usadas pela Rainha D. Maria Pia, azulejos hispano-mouriscos do século XVI, entre outros.

Palácio Nacional de Sintra: Visita detalhada e 20 destaques
Loja do Palácio Nacional de Sintra

Ao sair da loja, você está no Pátio do Leão, decorado por uma fonte, azulejos verdes e um espelho d’água. O pátio dá acesso à entrada da Cafeteria do Pátio do Leão, que está temporariamente fechada.

Palácio Nacional de Sintra: Visita detalhada e 20 destaques
Pátio do Leão

Siga à direita para a área dos jardins, onde encontrará uma pequena Horta com ervas aromáticas, o Jardim da Araucária e o Jardim da Preta. Este último jardim é assim chamado porque há uma pintura do século XVIII de uma mulher de ascendência africana que está lavando roupa. A saída é feita por uma porta lateral que dá acesso ao Terreiro do Palácio.

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Jardim da Araucária
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Jardim da Preta

A visita aos jardins pode ser feita de maneira gratuita, sendo necessário entrar por uma porta à esquerda da escadaria principal. Os jardins estão organizados em patamares ascendentes, que acompanham o desnível do terreno ao redor do palácio.

COMO CHEGAR AO PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA

O Palácio Nacional de Sintra fica exatamente no centro histórico de Sintra. As duas grandes chaminés brancas do edifício, construídas no reinado de D. João I, não deixam ninguém se enganar sobre onde fica o palácio Abaixo, confira as principais formas de chegar até o Palácio.

  • CAMINHANDO: O Palácio Nacional de Sintra fica a apenas 10 minutos a pé da estação de trem (“comboio” em Portugal) de Sintra. A caminhada é relativamente tranquila e agradável.
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Caminhando pelas ruas de Sintra
  • ÔNIBUS: Estando em Sintra, pegue o ônibus (“autocarro” em Portugal) da Rota 434, Circuito da Pena, da empresa Scotturb. Uma passagem só de ida para esta rota custa €3.90 e a opção hop on hop off custa €6.90. O primeiro ônibus sai às 9h30 e você pode conferir os horários e pontos de parada aqui e compre bilhetes neste link.
  • TUK TUK: É uma alternativa mais barata em relação ao Uber, embora sem o mesmo conforto. Assim como os tuk tuk na Ásia, você deve negociar o preço antes de entrar. Nós utilizamos o tuk tuk em duas ocasiões e foi uma boa para driblar o trânsito.
Portugal: O histórico Castelo dos Mouros em Sintra
Andando de tuk tuk em Sintra
  • UBER: Uber funciona super bem em Sintra e é uma opção interessante e a preços justos. É uma boa para quem quer conforto, ar condicionado, mas pode ser prejudicado pelo trânsito um pouco chato aos fins de semana e verão.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES

Palácio Nacional de Sintra
  • Endereço: Largo Rainha Dona Amélia, 2710-616 Sintra, Portugal
  • Horários: diariamente de 9h30 às 18h30 (a bilheteria fecha entre 12h e 13h, mas há um ponto de venda automática de bilhetes disponível)
  • Entrada: 10 € (de 18 a 64 anos) | 8,50 € (de 6 a 17 anos e maiores de 65 anos) | gratuita para os jardins

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