Última atualização: 01/10/2020
Conheça o emocionante Museu Casa do Terror, que conta parte da triste história da Hungria, que passou pelo regime fascista e, posteriormente, pelo regime comunista durante o século XX e homenageia as vítimas desses regimes.
O MUSEU CASA DO TERROR
Inaugurado em 2002, o Museu Casa do Terror exibe exposições relacionadas aos regimes fascista e comunista na Hungria do século XX e também funciona como um memorial às vítimas desses regimes, incluindo aqueles que foram detidos, interrogados, torturados ou mortos. O museu fica abrigado em um belo edifício de esquina, construído em 1880, que testemunhou muitas atrocidades e foi uma verdadeira casa do terror. Em 1944, a Hungria era dominada pelo Hungarian Arrow Cross Party (Partido Húngaro da Cruz Flechada), um partido de extrema-direita. O edifício que abriga o museu era conhecido como “Casa da Lealdade” e funcionava como a sede dos nazistas húngaros desde 1937.

Com o final da Segunda Guerra Mundial, entre 1945 e 1956, o local foi dominado por organizações de terror comunistas: ÁVO e, posteriormente, ÁVH – a Polícia Secreta Húngara). Além de homenagear as vítimas desses regimes, o museu também é um local de recordação para que os atos horríveis cometidos por essas ditaduras terríveis não sejam esquecidos para que não sejam repetidos.

UM POUCO DE HISTÓRIA…
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Hungria estava no fogo cruzado entre as ditaduras nazista e comunista. Com a ascensão dos nazistas ao poder, o governo húngaro obrigou os judeus a usarem uma estrela amarela para que pudessem ser facilmente identificados. A ascensão do Arrow Cross Party deu início a um período de banho de sangue, ao torturar milhares de pessoas. Muitos jovens foram enviados a batalhas sem esperança ao lado dos alemães para mostrar fidelidade a Hitler. Além disso, muitos judeus foram mortos a tiros e jogados no Rio Danúbio ou enviados a campos de concentração alemães. Lamentavelmente, a fé cega do partido nazista húngaro acabou levando o país à destruição.

Em 1945, com a derrocada do nazismo, a Hungria acabou sendo ocupada pela União Soviética. Um dos primeiros lugares que os soviéticos tomaram foi justamente a antiga sede do Arrow Cross Party. Assim como os nazistas haviam feito, os comunistas levaram pavor à população, submetendo às pessoas a interrogatórios brutais, enviando para prisões e campos de concentração, além de matar sem hesitação. Por estes motivos, a Casa do Terror é mais do que um museu, mas uma demonstração de que os sacrifícios em nome de uma suposta liberdade foram inúteis e que ambos os regimes foram responsáveis por trazer terror à população.
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COMO É A VISITA AO MUSEU CASA DO TERROR
O Museu Casa do Terror é divido em 4 andares. A ordem de visitação é a seguinte: Andar Térreo, 2º Andar, 1º Andar e Porão.
>> PISO TÉRRO
Entrando no edifício, você subirá as escadas onde verá dois memoriais em mármore e entrará por uma porta à esquerda para ter acesso ao Piso Térreo. Nesse andar ficam a bilheteria, loja de presentes e um Café. Além disso, há documentários sendo exibidos nas telas da parede e um tanque de guerra T-54 no pátio. Este bloco não é usual, à semelhança deste período sombrio da história que se apresenta em relação à história deste local.



>> 2º ANDAR
A visita propriamente dita começa ao subir as escadas ou pegar o elevador que leva até o 2º andar do edifício, onde se inicia a exposição permanente do museu. Existem oito salas de exposição e uma sala de projeção menor neste andar. Os temas da exposição seguem a cronologia das ditaduras totalitárias húngaras. Em resumo, ficam neste andar:
- SALA 201 – DUPLA OCUPAÇÃO: A primeira sala, que dá acesso à exposição permanente, é a sala de dupla ocupação. Ele apresenta aos visitantes a ocupação nazista e soviética da Hungria.

- SALA 202 – PASSAGEM DOS HÚNGAROS NAZISTAS (PARTIDO DA CRUZ FLECHADA): É o ponto de partida de partida das ditaduras totalitárias, através de uma introduções a todos os horrores exibidos em relação ao edifício que abriga o museu atualmente.

- SALA 204 – NAZISTAS HÚNGAROS (PARTIDO DA CRUZ FLECHADA): Tentativa de reproduzir o caos surreal que era representado pelo terror dos assassinos do Partido Arrow Cross dentro do país.

- SALA 205 – GULAG: Esta sala exibe os campos de trabalhos forçados de Gulag e da União Soviética, procurando homenagear os húngaros tanto civis quanto prisioneiros políticos, que foram levados para campos de trabalhos forçados soviéticos. Cerca de 700 mil húngaros viviam em quartéis e presos na União Soviética.


- SALA 206 – TROCA DE ROUPAS: Essa sala representa a mudança de ditaduras na Hungria. Depois que a Segunda Guerra acabou, em contraste com as esperanças iniciais, nem a democracia nem a economia de mercado foram estabelecidas, mas uma nova ditadura totalitária passou a dominar a Hungria.

- SALA 207 – OS ANOS 50: Esta sala exibe a vida cotidiana da ditadura comunista, mostrando o controle total sobre a sociedade.

- SALA 208 – SALA DOS CONSELHEIROS SOVIÉTICOS: Neste espaço faz-se uma alusão à presença do “Big Brother” estrangeiro na sala do Partido Arrow Cross, mostrando como organizações supervisionavam a sovietização na Hungria.

- SALA 210 – RESISTÊNCIA: Na última sala de exibição deste andar, é apresentado um tema muito importante, o tópico há muito escondido da resistência húngara contra o comunismo. Os visitantes podem se sentar na sala de projeção e assistir a filmes completos de propaganda contemporânea.

>> 1º ANDAR
Descendo para o 1º andar através do elevador, chega-se até uma parte da exposição que dá continuidade sobre as ditaduras totalitárias que dominaram a Hungria no século XX. O foco nesse espaço é no pós Segunda Guerra, quando a Hungria passou a ser dominada pela comunismo soviético. Podemos destacar as seguintes exposições:
- SALA 101 – REASSENTAMENTO E DEPORTAÇÕES: Entre 1946 e 1948, mais de 200 mil húngaros descendentes de alemães foram culpados de maneira coletiva pelo o que ocorreu na Segunda Guerra Mundial e foram expulsos e reassentados na Alemanha ocupada. Posteriormente, mais de dez mil habitantes do campo foram transportados para os chamados campos “fechados”, que, na verdade, eram campos concentração. O automóvel ZIM, em exposição, é uma relíquia assustadora dessa época: evoca o “carro preto” utilizado pela polícia política comunista para recolher as suas vítimas, geralmente a meio da noite.

- SALA 104 – CÂMARA DA TORTURA: Após passar pelo Corredor do Terror, chega-se à câmara de interrogatório, onde os capangas da época usam de inúmeras práticas de terror para conseguir as informações que desejavam.

- SALA 105 – CAMPONESES: Esta sala foi montada de forma muito original para lembrar um labirinto, decorado com blocos de banha. A ideia é lembrar o terror contra os camponeses e operários, que muitas vezes foram privados de suas últimas safras pelas autoridades comunistas.

- SALA 106 – ANTE-SALA DA POLÍCIA POLÍTICA HÚNGARA: Aqui fica uma galeria de retratos de membros da ÁVO, a Polícia Política Húngara, que leva até a sala onde ficava o temido dirigente da Autoridade de Proteção do Estado, Gábor Péter.

- SALA 107 – SALA DE GÁBOR PÉTER, CHEFE DA POLÍCIA POLÍTICA HÚNGARA: Nesta sala ficam uma mesa de trabalho e uma cama à frente, que simbolizam a prática da ditadura do proletariado: a revolução devorando seus próprios filhos.

- SALA 108 – JUSTIÇA: A brutalidade dos “julgamentos-espetáculo”, conduzidos pela ordem política e diretamente controlados pelo partido comunista, é revelada pelos autos e documentos da Sala de Justiça e pelas cenas do julgamento de Imre Nagy mostradas ao centro desta sala.

- SALA 109 – PROPAGANDA: Nesta sala, são exibidos fotografias e cartazes que mostram documentos e recursos propagandas absurdos feitos pelos comunistas no período.

- SALA 110 – VIDA NO COTIDIANO: Esta sala exibe pôsteres e objetos contemporâneos sobre o dia-a-dia comunista. Os pôsteres espalhafatosos contavam mentiras para fazer com que as pessoas acreditassem na ideologia que estava por trás delas.

- SALA 111 – TESOURO: Essa sala exibe artigos que foram fabricados com a chamada “prata húngara””, ou seja, bauxita, a matéria-prima do alumínio, que pode ser vista no centro da sala. Os utensílios de má qualidade expostos nas prateleiras são elementos característicos da vida cotidiana da época.

- SALA 112 – IGREJAS: Monitores colocados nas portas mostram documentários sobre membros do clero perseguidos e presos. Relíquias sobre o destino dos vários perseguidos estão expostas nos estandes. Os grandes alto-falantes cinza ao fundo lembram a propaganda do período emitindo uma verdadeira “cruzada” do regime em locais públicos.

- SALA 113 – CARDEAL MINDSZENTY: Esta sala é um memorial ao Cardeal József Mindszenty, que se opôs fortemente ao regime comunista. Ele acabou sendo preso em 1949, foi libertado após a Revolução Húngara de 1956 e passou o resto dos seus dias exilado. Os monitores desta sala mostram clipes dos eventos mais importantes de sua vida e da campanha de propaganda comunista dirigida contra ele.

>> PORÃO
Esta área ficou famosa durante o regime dominado pelo Partido Arrow Cross, cujos membros transportavam pessoas que haviam sido presas e as levavam até o porão da sede do partido, onde eram brutalmente espancados. Em seguida, confira o que encontrar neste andar.
- SALA -01 – CELAS DE PRISONEIROS RECONSTRUÍDAS: Esse espaço reconstruído mostra não somente como eram as celas tradicionais de prisioneiros, mas as celas de castigo, cela dos condenados e o local de execuções.

- SALA -02 – CAMPOS DE INTERNAÇÃO: A polícia política montou campos de internação em Recsk, Kistarcsa, Tiszalök e Kazincbarcika. Um carro de mineiros e pedras de Recsk estão expostos nesta área, bem como itens feitos no campo (um acendedor de cigarros, óculos, uma cruz, uma caixa de cigarros, “notícias” escritas em papel de cigarro). Clipes de filmes podem ser vistos e ouvidos, apresentando as lembranças de ex-internados.

- SALA -03 – SALÃO DA REVOLUÇÃO DE 1956: Essa sala mostra os eventos da Revolução de 1956 e faz uma homenagem àqueles que dela participaram. Aqui estão itens como o casaco de couro de Gergely Pongrátz, o casaco de uma das vítimas do fuzilamento Mosonmagyaróvár, um rifle automático, um coquetel molotov, entre outros.

- SALA -04 – RETALIAÇÃO: Essa sala mostra registros de execuções e recursos rejeitados de clemência. Os nomes daqueles que sofreram durante o regime podem ser ouvidos nos alto-falantes.

- SALA -05 – EMIGRAÇÃO: Cerca de 200 mil pessoas deixaram a Hungria após a Revolução de 1956. Há um video exibido em um monitor que evoca a fuga dessas milhares de pessoas. Cartões postais escritos para entes queridos cobrem as paredes deste corredor.

- SALA -07 – SALÃO DAS LÁGRIMAS: Neste espaço, os nomes das pessoas que foram excetuadas por motivos políticos entre 1945 e 1967 estão exibidos nas paredes.

- SALA -09 – ESCADAS – GALERIA DOS VITIMIZADORES: Este espaço está repleto de fotos que representam os dois regimes repressivos, tanto membros do Partido Arrow Cross, quanto líderes comunistas. A maioria dessas pessoas serviu ou ocupou cargos de responsabilidade em organizações onde foram cometidos crimes contra a humanidade e crimes de guerra, atos que eram incompatíveis até com seus próprios sistemas jurídicos. Os perpetradores ou participaram de tais crimes ou deram ordens para sua execução, ou sancionaram tais decisões, ou os apoiaram como instigadores.

COMO CHEGAR À CASA DO TERROR
A Casa do Terror fica entre as estações de metrô Oktogon e Vörösmarty utca, ambas localizadas na linha M1 (amarela). O metrô de Budapeste é operado pela BKK (Budapesti Közlekedési Központ) e você pode encontrar os tipos e preços de tickets neste link. Confira mais informações sobre o serviço de metrô no site oficial da empresa. Se você não quiser se preocupar com bilhetes de metrô, a dica é adquirir o Budapest Card. Veja mais informações abaixo:
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Leia mais: Hungria: O que fazer em Budapeste – Roteiro de 3 dias
INFORMAÇÕES
Terror Háza (Casa do Terror)
- Endereço: Andrássy út 60, 1062 Budapeste, Hungria
- Horários: de terça a domingo de 10h às 18h | fechado às segundas-feiras
- Entrada: 3000 HUF
- Importante: fotos e videos são proibidos dentro do museu
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